30 de setembro de 2003

ELIA KAZAN (1909-2003)
Tinha-me acontecido com Visconti e voltou a acontecer-me, nessa noite, com Kazan.
Era mais uma noite de tédio adolescente, passei a perna por cima do braço do sofá e olhei desdenhoso para um filme com um título que (malgré a atitude) me parecia bonito: "Esplendor na Relva".
Daí para a frente nunca mais deixei de procurar o brilho da humidade que se levanta da erva nas noites húmidas de Verão.
PRECISO DE UM POEMA...

A PEQUENA ROSA BRANCA

A Rosa do mundo não é para mim.
para mim quero apenas a pequena rosa branca da Escócia
De cheiro agreste e doce - e que destroça o coração


HUGH MACDIARMID (in "Rosa do Mundo", trad. de Sara Oliveira)

29 de setembro de 2003

AI, O NOSSO BOLSO!
Volta e meia lá têm que me aturar a protestar contra a qualidade da televisão pública. Já se sabe que protesto, não só por achar que essa entidade tem mais obrigações que as privadas, mas porque cada erro ou desvario de gestão nos sai a todos nós do bolso. E não se trata de uma questão à tio Patinhas, porque não tenho vocação para macforreta. Apenas que num país com tantas carências, utilizar o dinheiro dos impostos numa coisa significa retirá-lo de outra igualmente ou mais importante.
Por isso, muitos já me disseram que deixe de ver televisão que assim já não me chateio com as Merches Romeros e os companheiros da alegria que poluem as tardes da televisão pública. Talvez se eu acrescentar que cada um deles ganha ACIMA de 2000 contos mensais, se perceba um pouco melhor a minha exigência a este respeito... São cerca de 60000 contos anuais (mais, de certeza) só em asneiras vocais. Somem-lhes os custos de produção e emissão e vejam lá quantas séries da BBC poderíamos comprar. Isto para não usar a expressão "voltas ao mundo", que parece ter chocado tanto gente...
BLACK AND WHITE
...Ainda cá volto para dizer que me diverte ver, pelos comentários (neste e noutros locais) que muita gente ainda julga que o mundo se divide entre ricos e pobres, inteligentes e burros, pretos e brancos, religiosos e ateus...
Na verdade, a única divisão está entre os que estão dispostos a escutar os outros e os que ouvem apenas o zumbido das suas certezas.
CEE
Quem visse Portugal nos anos 80 a entrar na Comunidade Europeia com os seus 50 anos de atraso, dificilmente acreditaria que um dia poderíamos ombrear com os nossos parceiros de Bruxelas.
2O anos depois, ele é Mac Donald's, ele é música ambiente no centro da capital, ele é escândalos de pedofilia e marchas brancas: estamos uns verdadeiros belgas!
"Trabalho Faz Cada Vez Mais Mal à Saúde "
Ora até que enfim que os jornais dão uma notícia credível!
DOMINGO JÁ FOI ONTEM
Já passou o dia mais patético da semana; já cumpri os rituais, alguns dolorosos e já olhei para a agenda. Amanhã começa de novo o mundo.

27 de setembro de 2003

E POR FALAR EM CLASSIFICAÇÕES
Fomos bombardeados com entrevistas de betos do S.João de Brito, a dizerem que é por causa de "fazerem muitos exercícios" e do "ambiente familiar", que obtiveram bons resultados. Um dos meninos, com uma pele de pêssego e um corte de cabelo digno de um futuro cirurgião plástico, acrescentou mesmo que quando tinha dificuldades recorria aos pais "que eram Químicos". Agora pergunto eu: por que é que os miúdos das escolas da Buraca ou a rapaziada do interior beirão não fazem o mesmo? Não me venham com a desculpa da iletracia dos pais... Afinal, os primeiros injectam toda a espécie de químicos... E os segundos, também não serão virgens no que toca ao uso dos pesticidas...
O governo tem razão: os putos portugueses se não aprendem é porque não querem. Afinal, os filhos deles têm quase todos boas notas...
FLAPFLAPFLAP
Parece incrível o cagaçal que se está fazer à volta das passeatas dos bombeiros de Lamego. Sei que é muito diferente das idas dos ministros, em carro luxuoso, às compras ou buscar os filhinhos aos colégios-bem-classificados-nos-exames-do-12º ..., mas ainda assim, parece-me tratar-se apenas de um gesto generoso. Pois se eles tinham lá o bicho às ordens e não o usavam na detecção e combate aos incêndios, para alguma coisa haveria de servir. E, por mim, se deu a uma pobre funcionária de tribunal 3 ou 4 minutos de alegria, no meio da sua vidazinha sem sentido, bem-hajam. O que aquele comandante de bombeiros tem é um coração com asas, isso sim!
"Ovelhas à Deriva no Golfo Podem Estar a Caminho do Iraque "

Este título de jornal chocou-me. Mas não me surpreendeu. E digo mais: se o Vaticano continuar a proibir de aplaudir nas igrejas e coisas do género, ainda mais pessoas se tornarão muçulmanas.
Depois não digam que não se avisou...
SPIRITED AWAY
Embora sem o impacto do grande ecrã, o Dvd de "A viagem de Chihiro" continua a ser imperdível. O mundo dos demónios japoneses a misturarem-se com o universo de "Alice...".
Por mais 4 euros, vale a pena comprar a edição especial que tem uma série de extras interessantes.

26 de setembro de 2003

PROCURA-SE CASA PEQUENINA, BARATA, NÃO LONGE DE LISBOA (HELAS) COM O MAR POR PERTO OU SERRA, ERA O CÉU!

...Estava eu a meio deste dilema, quando dou com o post do Al:
"Os azeitonenses, por sua vez, veneram a Serra da Arrábida; qualquer azeitonense que se preze já calcorreou os caminhos da serra, já acampou na areia do Portinho, já se perdeu no Conventinho - em suma, todos os azeitonenses, herdeiros bastardos de Sebastião da Gama, sentem a "Serra-mãe" como sua, tal como as gentes de Peniche "possuem" as Berlengas!

Como é que querem que eu goste de Lisboa? O que é que eu teria lá para me afeiçoar? O Colombo?".

Está tudo dito, para quem não nasceu urbano.
PURE GOLD
All in the family ressuscita na Sic Gold, às sextas à noite. O reaccionário com um inconfessável coração de manteiga, Archie Bunker, continua a encher de frases sarcásticas a sua vida com Edith. E o genro Cabeça-de-Abóbora (Rob Reiner, realizador do "Stand By Me" e "Misery") vive o seu amor flower power com a filha de casal. Iniciada em 1971 esta série passou em Portugal vários anos mais tarde, tornando-se imediatamente série de culto. Para ver sem moderação.
DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Hoje almocei com a família num restaurante panorâmico em Santiago do Cacém. A cozinha era boa, de cariz regional e o atendimento simpático. A perder de vista, toda a região, do interior até à Lagoa de Santo André e a respectiva Costa.
Não fosse a circunstância desta torre (erguida com ajudas do FEDER), ser um dos edifícios mais horrorosos do mundo e tudo teria sido perfeito. Na região conhecem-no como "O Supositório", o que diz tudo. Pergunto eu: quem foi a criatura que aprovou esta coisa a que chamaram "projecto de arquitectura" e que deveriam ter referenciado como "excremento"? Não mereceriam as gentes da terra, os visitantes que querem almoçar bem e disfrutar da vista e até as pessoas que gerem o restaurante, um edifício menos feio? Eu, julgo que sim.

ps: lá de cima, avista-se a Escola Básica (uma C+S) e os seus edifícios degradados com um ginásiozinho improvisado numa barraca que deve ter sido herdada do Gabinete da Área de Sines, nos anos 70... Mas, pelos vistos, é o único sítio de onde se percebe que as crianças que frequentam aquela escola mereceriam coisa melhor, já que existe nestas condições precárias há MUITO MUITO tempo... Estamos a falar de uma cidade a hora e meia de Lisboa. Calculo o que não encontraremos na "província profunda"...
AINDA AS PROPINAS
A propósito do post das propinas escrevia-me ontem um amigo meu, estudante universitário, dizendo que discordava comigo. Que ele tinha dificuldades financeiras, ia de transporte público para a faculdade e que não lhe parecia bem que o reitor da sua faculdade (FCT) lhe pedisse 850 € quando acabava de estourar uma data de dinheiro a inaugurar um NOVO parque de estacionamento (onde já existiam vários). E refere também que num dos anfiteatros onde tem aulas chove, frequentemente sobre os alunos.
Ora, não conhecendo eu em pormenor o diploma, nem a faculdade referida, parece-me que tem toda a razão, por um lado, por outro, não terá razão para se preocupar. Claro que, a ser exacto o que ele refere (e não tenho razões para duvidar) o reitor é um nabo para a gestão. Mais um. Estaria a delapidar recursos com coisas que não justificam em vez de encaminhar os orçamentos para a manutenção e melhoramento das condições. Esta não é uma situação nova, se formos mais para sul encontraremos outras universidades onde a prioridade é a aquisição de edifícios classificados em vez do investimento nas condições de ensino, et caetera, et caetera... Isso é um ponto.
Julgo, contudo - e espero não estar enganado, já que a amiga Manuela está desesperada por apanhar tudo o que é troco dos nossos bolsos - que quando se fala de "propina máxima"... se quer dizer"Propina Máxima". Isto é, quem tiver menos recursos paga menos, quem tiver muitos paga o máximo. Logo, ele não deveria pagar nunca a máxima (nem pagará, certamente). Este sistema parece-me justo, ser for bem aplicado. Claro que aparecerão filhos de empresários, de porshe a entregar a declaração de rendimentos do pai, que não ganhou nada no ano anterior... Mas isso, é Portugal.
DE NEW YORK
O Hugo publica bons posts, lá de longe. Como este, por exemplo:
"Acho que a diplomacia é importante. Eu não quero que os governantes do meu país cheguem de bicicleta a um encontro com um chefe de Estado estrangeiro. Não os quero sozinhos, mal vestidos, esquecidos do protocolo. Mas questiono-me sobre a necessidade de uma comitiva de 34 pessoas, hospedada, durante três dias, em dois dos mais caros hotéis de Nova Iorque. E questiono-me se será justo – não, não é demagogia – que o primeiro ministro traga o fotógrafo pessoal, para dormir nos quartos do Four Seasons, onde a diária é de cerca de 500 Euros. Se estamos em fase de redução de gastos, então é para todos. É uma questão muito simples. Não se pode exigir aos outros aquilo que não cumprimos. "
Abram os olhos, diz e bem.
POESIA A MURRO
José Miguel Silva publica um poema que me parece bom para limpar a vista. Uma espécie de soro fisiológico para afastar as remelas literárias... É no Be do Zé Mário.
REFORMAS
No debate da Sic Notícias que acabou agora mesmo, Veiga Simão debatia com David Justino (actual ministro da educação, info para os amigos brasileiros). Fui à net ver que idade tinha o primeiro. Não fui bem sucedido,embora tenha relembrado que a sua reforma data de 1970, em plena "Primavera Marcelista" e que as suas ideias "liberalizantes" são ainda hoje,mais ou menos contestadas.
Também é do seu tempo (ao que julgo) a abolição dos acentos nos advérbios de modo... aquilo que o bestblogger Pacheco Pereira ignora frequêntemente ;)
Neste debate televisivo sobre educação, o antigo ministro parecia o mais jovem dos dois. Ou, pelo menos o mais arguto e ponderado. Falava da necessidade do ensino experimental, da fiabilidade dos indicadores que o actual ministério se prepara para apresentar em breve (com pompa, circunstância e provavelmente uma brutal margem de erro, como de costume...). Foi divertido ver um antigo ministro de um regime ainda mais antigo (embora tenha tido outro cargos desde então) demonstrar uma visão activa do que deveria ser o ensino; a pedir a ligação entre ciências e humanidades, lembrando que o ser humano é um todo (que vai muito para além disso, de resto). A tudo isto, David Justino respondia com jogo de cintura, trejeitos à Durão Barroso (o que não me surpreende, porque as figuras carismáticas têm tendência a provocar mimetismo nos outros...) e argumentações patéticas de que "vão substituir os mapas antigos das escolas". Valha-nos a Senhora da Paciência.

25 de setembro de 2003

COSTA VICENTINA
Para aqueles que ainda acreditam que é preferível andar um bocadinho a pé, carregar com o lixo para casa e não poder comprar um BiFMac a todo o instante, mas encontrar a Natureza em todo o seu esplendor, existem petições como esta. Para quem quiser assinar.
GREVE
Hoje há greve da Carris. Ainda bem. É que já estava a ser difícil dar a volta com o carro, ali na zona da Estrela, onde bandos de motoristas e fiscais, cinquentões, se reúnem a fumar e a dizer mal do governo, durante as horas do expediente.
PROPINAS ABORRECIDAS SUNT
Fui Bolseiro. Licenciei-me com dificuldades financeiras. Vindas não do meu gosto por noitadas e trapinhos de marca, mas do simples facto da minha família viver com rendimentos modestos, fruto de um trabalho duro e constante. Mas a coisa fez-se, entre o que os meus pais conseguiam tirar dos seus "luxos" e um minúsculo apoio do estado (12 contos, para ser mais exacto, não há assim tanto tempo...). Isto não é Dickens e considero-me sortudo por não ter tido que trabalhar na estiva ou na restauração durante esse tempo. Pude aprender e crescer por dentro durante mais alguns anos.
Hoje, escutava as declarações indignadas de um rapazito do Técnico que se queixava do aumento das propinas. Vão para cerca de 800 € anuais, para os não-bolseiros. Qualquer coisa como (calculando 10 meses) 80 € mensais. E "sem que tênhamos visto melhorias na escola desde o ano passado", declarava o rapaz. Pareceu-me vê-lo de "traje académico", aquela coisa clownesca de que os comerciantes se lembraram de vender. Não sei quanto é que custou; nem quanto é que custam as noitadas da "Semana do Caloiro", ou as idas semanais à discoteca... mas desconfio que será mais de 80 €.
Eu estou sempre na primeira fila dos que refilam, como é do conhecimento geral. Contudo, talvez fosse interessante pensar quanto é que custa por ano, cada aluno, aos bolsos de nós todos. Ou ver o grau de empenhamento e de reconhecimento perante o esforço não só da família, mas de todos nós contribuintes, para lhe pagar as passeatas até às aulas e os chumbos sucessivos. Ou saber se em vez de ir para a faculdade, de cu tremido no carro que o pai lhe deu e está a pagar a prestações, se não poderia comparar a porra de um passe, como todos nós e deslocar essas verbas para pagar as propinas, aligeirando o orçamento familiar...
Ou se em vez de querer ser o Rei dos Palhaços, embrulhado nos panejões pretos, não poderia ser o Rei dos Estudantes, estudando e investigando, nas bibliotecas que não lhe custam dinheiro, ou nos computadores da faculdade que custam a todos?...
Parece um discurso reaccionário? Talvez, se acreditarmos que o mundo é uma bola de algodão onde estamos deitados de rabinho para a lua, com as coisas doces da vida a cairem-nos suavemente em cima.
Caso contrário, tenham lá paciência e estudem mas é para os exames!

24 de setembro de 2003

HORÁRIOS
Afinal, a coisa não anda assim tão má em termos de televisão. Ainda nem era bem meia-noite quando a RTP começou o filme "Amélie...". Calculo que para nos proteger das violentas cenas de sexo não o pôde transmitir em horário mais civilizado. E menos de duas horas depois inaugurava uma série interessante. Tempo para espreitar a TVI que arrancava com a "Causa Justa" (e daí em diante deverá continuar com as melhores séries...).Afinal, o país anda é todo a levantar-se muito cedo. Caso contrário, não se queixaria dos seus canais televisivos.
ps: vou agora abrir a televisão... A esta hora é capaz de ir dar algum filme do Godard...

23 de setembro de 2003

À DIREITA
O Pedro Mexia tem sobre a maioria dos portugueses assumidamente de direita várias vantagens, sendo que a maior de todas não é a de ser culto, mas sim a de ter a capacidade de se rir de si próprio e de não levar demasiado a sério as ideias que defende. Embora conservador ele sabe que a História tem a estúpida mania de dar o dito por não-dito.
Eu se fosse político e tivesse que defender o meu tachito à esquerda ficava preocupado... Olhem que pode haver mais... ;)
NÓS ADERIMOS!
A propósito do post sobre o dia Sem Carros, recebemos de várias companhias de transportes público urbanos missivas de teor muito semelhante, que se reproduzem:
"Exmo. Sr., enquanto administrador desta companhia de transporte (entre vários outros tachos, ajaezados à andaluza e aos quais dedico a mesma atenção) sinto-me menosprezado pela não referência à nossa empresa, no seu pouco interessante poste (em português, sil-vousplé!). Sem perder muito tempo que o motorista já está impaciente (coitado do Jorge, ainda tem que me transportar no Mercedes até a duas outras empresas, antes de me ir levar ao condomínio a Cascais - e com 400 contos de ordenado, não se lhe pode exigir tanto), sempre lhe digo que nós JÁ ADERIMOS AOS DIAS SEM CARROS HÁ MUITO TEMPO. Bastaria um olhar atento para as paragens de autocarros e eléctricos, com filas estalineanas, para perceber que POR NÓS, eles não vão andar de carro tão cedo. Pelo menos, público. Certo de ter contribuído para o esclarecimento desta situação, despeço-me de V. Exa, Atentamente ..."

De facto, sob esse ponto de vista...
EM BREVE, NUM TALHO PERTO DE SI
Ao descer, no eléctrico 28, uma das ruas de Lisboa, dou de caras com o seguinte letreiro na porta de um talho: "Carne para coser - 8 €".
O que faz a crise... Agora, até os talhos são obrigados a vender material escolar aos estudantes de medicina.
SEM CARROS
O Comentador Santana, lá fez marcha atrás no que ainda o ano passado intitulou de "palhaçada" e meteu Lisboa no Dia Europeu Sem Carros. Ao que parece fechou 2 (duas) ruas ao trânsito. Consta que nem se trata de má vontade, mas apenas de um medo enraizado de que a mania alastre. "Qualquer dia, ainda se lembram de fazer o Dia Sem-Discoteca... ou o Dia Sem Tia Na Cama... ", terá ele afirmado de lágrimas nos olhos. O Prazer_Inculto associa-se na dor, a esta mente brilhante...

22 de setembro de 2003

VIDEORUN
Foi um fim-de-semana atribulado: 48 horas a captar imagens, a pensar na forma de as organizar e a montar. Numa iniciativa da nova escola RESTART16 equipas lançaram-se pela cidade de câmara digital na mão, tentando responder ao tema "Cidade em Movimento". Voltaram muitas horas depois, alguns sem ter dormido, outros com um breve descanso no corpo e atiraram-se ao AVID (sistema de edição de vídeo) por outras tantas horas.
No fim houve prémios e aplausos, mas não foi o mais importante. Importante foi, sim, ver aparecer 16 propostas interessantes e diferenciadas, feitas sem dinheiro nem tempo, por iniciativa de uma escola que acredita que é mais interessante fazer do que lamentar o que não acontece.... Foi pena não ter aparecido por lá ninguém ligado, politicamente, às decisões do sector. Houve ali uma lição com luva branca.

19 de setembro de 2003

OUT OF BOUNDS
O "comentar" com as suas caprichosas mudanças, volta e meia faz asneira. Algumas pessoas estão bloqueadas, sem razão alguma. Peço paciência e que me avisem por mail.
Vou ver o que se passa.
Goodbye Lenine
Estreia hoje, "Adeus, Lenine!" , de Wolfgang Becker, muito apregoado durante o Festival de Berlim deste ano.
O que eu não percebo é como é que os meus amigos do PCP não aproveitaram para o passar em antestreia na festa do Avante...?!
Eu teria gostado de o ver, ao ar livre, enquanto as bandeiras vermelhas faziam flap flap atrás de nós ;)
NUNCA FALES EM FUTEBOL...
Num jantar com uma delegação, no Minho, do F.C.P., Pinto da Costa referia-se ao próximo jogo com o Benfica, usando a expressão "Nós temos muitos inimigos...". Embora eu não seja a pessoa indicada para discutir o assunto... não se deveria dizer "adversários" ou "membros de outra equipa"? Peço desculpa, mas é que julgava que o desporto servia para desenvolver o corpo e aliviar o espírito. E, jogado a nível profissional, provocaria admiração pela mestria das performances...
Não tinha percebido que era uma Guerra.

18 de setembro de 2003

PAX IN DOMINICUS
Numa lojinha do Chiado, acabado de sair do buffet vegetariano e macro-biótico (muito bom, não sei o nome, primeira rua à esquerda de quem dá as costas ao Mac Don. dos Armazéns do Chiado...) encontrei uma loja de artigos religiosos. Já a tinha observado, fascinado. Mas, hoje descobri, na montra, uma malinha de primeiros-socorros espirituais. É um kit que tem cálice (dourado), hostiário, duas garrafinhas para os óleos e tudo o que um jovem e irreverente padre pode sonhar. Não sei quanto custa, mas ficou-me, cá dentro, um grito, alegre e valoroso: VAMOS EVANGELIZAR O IRAQUE! Já!
Desculpem o entusiasmo, mas há coisas que mexem com uma pessoa...
AINDA A FAMA, EMBORA MAIS CASEIRA
Escreve-me um leitor bloguista perguntando que conselhos lhe dou para ter mais visitas. Ora, meu caro, como muitas pessoas chegam cá, de forma mais ou menos ao calhas, via motor de busca, sugiro que se limite a fazer uma lista de palavras-isco. Tipo: sex; mad girls; bondage in heaven; Marisa Cruz; Lust; baiser comme un lapin; se laisser faire et dire merci... Ou mais nacional (oops, que a "Marisa" fugiu lá para trás: volta, palavra malandra!) modelos de sonho; noites de loucura; escândalo nacional; revelação bombástica, porém, inteligente... etc, etc... Vai ver as page views a disparar. Em última análise escreva apenas "Abrupto", 50 vezes.
Digo eu ;-)
E POR FALAR EM ORWELL...
Na France 2, repetia ontem, um programa com os concorrentes dos reality shows em França (que são rigorosamente os mesmos que em Portugal). A maioria vinha do "Loft", que é o título francês para o B.B.
Foi um programa curioso, porque todas as pessoas estavam mais ou menos unidas nos sentimentos. Todas afirmavam que tinham sido armadilhadas desde o anúncio, que utilizava as palavras "Star" e "Fama"... ou seja, aquilo que elas nas suas fraquezas mais aspiravam. E todos se sentiram atirados para a estratosfera, mastigados pela máquina e... cuspidos para o esquecimento, arrastando nessa queda as suas famílias. Afinal, também há Zé Marias ailleurs.

17 de setembro de 2003

O VÍCIO...
Sei que tinha jurado não voltar a comprar a TvGuia... Mas é que hoje, quando cheguei ao quiosque, já não havia jornais do dia... E tinha de esperar pelo autocarro...e... Pronto... Ok! Ok!, vou dizer a verdade: foi o vício. Anos a comprar esta revista, a menos idiota entre as que se publicavam em Portugal sobre o tema, criaram-me esta habituação. É como o Expesso... quando a gente dá por isso está a dar cabo dos músculos dos braços, a virar o caderno Internacional...
E eu acho que está melhor... Por exemplo, esta semana só dedica as primeiras 26 páginas ao Big Brother... E mais quatro lá para a frente... E ainda por cima, têm bom coração: o director veio dizer que se a mãe de um dos concorrentes, a quem pregaram fama de... peripatética (ver dicionário), quiser ir para as páginas da revista alimentar a polémica, que faça favor. Ora se isto não é generosidade?!
And I rest my case com a sensibilidade demonstrada, na importante reportagem sobre a viagem de avião da Alzira, a concorrente terceirense, para S. Miguel (???!!!É Acores, Prontos, terá sido o raciocínio...). Passo a citar: ""Às 15.05 a Tv Guia tentou falar com ela, mas foi-nos totalmente impossível. Alzira, encolhendo os ombros parecia dizer-nos, com o olhar que preferia marcar a conversa para um outro momento... mais tranquilo". Ora, repare-se... Não foram precisas palavras... bastou um olhar, para a repórter compreender o que tinha a fazer... São coisas como esta que nos fazem abençoar os cursos de comunicação social das universidades portuguesas.
O CLUBE DOS SETE
A nossa padralhada (termo carinhoso para designar as Eminências e as Subserviências que temos) veio anunciar que os portugueses, além da mania de abortarem só porque ficam grávidos e acham que não têm condições ou maturidade para criar um filho, têm ainda MAIS 7 pecados. Já não me lembro quais eram, mas basta consultar a imprensa que toda a gente deu cobertura à notícia.
Ao que parece, um dos membros da Comissão de Pecadores ainda terá sugerido que incluíssem o abuso sexual de menores, mas foi rapidamente calado pelos outros com a argumentação "Livra, irmão X, você também vê mal em tudo... Jejuss!".
AQUELE QUE NÃO SE PODE DIZER...
Pais com filhos impacientes e leitores que não ligaram peva às aulas de inglês: O Sapo é vosso amigo...
A REALIDADE AGORA A FINGIR
Para quem está farto das mentiras dos jornais, sugeria que consultassem este ou este. Se não gostarem... Olhem, leiam este.
Poderia ainda mostrar-vos outro ... ;) mas ainda é cedo.
ESCOLA DA PONTE

Ouvi a notícia de relance e não relacionei o nome com a escola. Daí a brincadeira do post um bocado mais abaixo. Não o retirando, peço que o leiam como um jogo de palavras, apenas, sem consequência em termos de opinião. Na verdade, hoje em dia, desde que as televisões se lembraram de dar a voz TODA a quem faz barulho (seja lá por que for) que passamos os dias a ver os protestos mais disparatados... ao lado das desculpas mais esfarrapadas dos responsáveis em casos realmente merecedores de atenção. Daí a minha confusão.
Ouvi falar desta escola há alguns anos, precisamente quando andava apaixonado pelo estudo das novas pedagogias de aprendizagem. Experiências educativas assentes na motivação e na responsabilização dos alunos, além da harmonização das inteligências múltiplas estavam a ser feitas por todo o mundo. Por cá, havia esta escola, onde impressionava ver meninos de 9 anos sem estarem histéricos aos gritos ou esmurrarem-se para enfiar o nariz na câmara...
Foi gratificante para mim saber que havia gente a tentar.
Não conheço em detalhe o processo que está a decorrer, mas não me surpreende que um ministério orientado por pessoas que pensam que o segredo está na punição e na obrigatoriedade de ficar preso à escola até completar o 12 º ano (ou morrer de artrite) não simpatize com a iniciativa. É o contrário de tudo o que os regimes autoritários nos legaram: é o direito à escolha e ao desenvolvimento crítico. E, meus amigos, qual é o partido habituado à governação que não tem medo de um país que pensa e avalia?

16 de setembro de 2003

INCÊNDIOS
Acho adorável a forma como a comunicação social se refere, de uma forma geral, aos bombeiros como "homens no terreno". Contudo, a atentar pelas imagens, muitos desses "homens" tiveram de ir mudar de vestido e amamentar os filhos depois de terem combatido, com garra, as chamas....
Não seria altura de modificar um bocadinho o genéro na redacção apressada das notícias?
LIDO NO PÚBLICO
"O autoproclamado Presidente interino da República da Guiné-Bissau, o general de quatro estrelas Veríssimo Correia Seabra, recebeu ontem um voto de confiança dos representantes das diferentes forças políticas e sociais do país, com vista à formação de um Conselho Nacional de Transição e de um Governo que venha a organizar eleições. "

Parece que enquanto metia o barrete encarnado na cabeça, o general terá perguntado "onde estão as barbas brancas e o trenó? Quero o pacote completo do Power Kit".

2. "Os pais dos alunos da Escola Básica Integrada de Vila das Aves, Santo Tirso, conhecida por Escola da Ponte, cumpriram a ameaça e ontem de manhã, ao toque de chamada, levaram os filhos às salas, mas não arredaram do local. Vão continuar a fazê-lo até o ministro da Educação, David Justino, autorizar o prosseguimento do projecto Fazer a Ponte".

Os miúdos ficaram um bocado chateados e ainda tentaram mandar os pais para casa, dizendo-lhes que jogar consola seria muito mais divertido do que fazer uma ponte... Mas os progenitores obstinados argumentaram que "Já tinham trazido os Legos e que dali não arredavam". Uma das mães poderá mesmo ter dito: "Vamos até às últimas consequências". Ninguém percebeu o que ela queria dizer com esta frase, mas uma aluna cochichou ao ouvido de outra que "era capaz de ser, fazer xixi nas calças". Aguarda-se que a TVI resolva mais este caso, no lugar do governo.

BREAKING NEWS
Boas notícias, pessoal, parece que a Jennifer Lopez e o Ben Affleck resolveram separar-se. Iam casar-se para a semana mas reflectiram melhor e acharam que seria uma pena privar o resto dos membros da humanidade da possibilidade de os conhecerem mais de perto. Quanto ao amigo Ben, não tenho a certeza, mas aqui na Blogosfera não faltarão candidatos ao esforço de mostrar a Jennifer que nem só de tacos e marshmellows se faz a felicidade... Claro que com a concorrência do novo look da Ana Malhoa as coisas já não serão tão fáceis como dantes...

15 de setembro de 2003

CAI NEVE NO DIÁRIO
J. César das Neves, eminente cronista que não merece normalmente comentário, escreveu no DN de hoje contra a matriz cultural europeia que "vai contra o Cristianismo". Segundo ele, o ppl tem andado ocupado nos últimos séculos a acabar com o temor a Deus. O que estaria mal.
Será muito básico responder que não é uma luta entre os deuses e os homens mas entre os grupos de pressão ligados (por acaso, poderiam ser outros - o que não falta são grupos em que a armadilha do dinheiro e da ambição pelo poder fazem maravilhas com a manipulação das massas...) à igreja católica e as pessoas que se recusam a fazer méééé...?
TREPAR
Um conhecido meu, jovem apresentador, dizia-me há dias que ia tirar o "O curso do Rangel". Uma coisas de televisão. Perguntei-lhe se achava mesmo que ia aprender muita coisa, já que o investimento era razoavelmente elevado. Encolheu os ombros ao telefone: provavelmente, não, mas é a maneira mais rápida de ser escolhido para fazer coisas. "Sabes como é", acrescentou.
Sei.
PROIBIDO APAGAR
Reli dois dos posts e percebi que nem eles acrescentavam nada de interessante a quem cá vem, nem os comentários eram produtivos. Deleted. Sorry.
SÃO ROSAS, SENHOR
E já aí está o livro infantil de Madonna.Dedicado aos rebentos Rocco e Lourdes Maria (lindos nomes), este livro resulta da tentativa da cantora de escrever um romance inspirado em "Guerra e Paz". Numa versão não confirmada, a platinada morena terá declarado que "Oh, pá... Quando eu disse que ia escrever um romance a sério, os editores riram-se um bocadinho mas prometeram ler o manuscrito. Foi pena terem deitado fora as restantes 1200 páginas. E as ilustrações não eram bem o que eu estava a pensar que um adulto gostaria... Mas, pázinho... Já fico satisfeita". A filha mais velha também foi um grande pilar de força nesta tentativa. A menina, de 6 anos, terá declarado que já lhe perdoara o roubo das redacções do colégio. E que em letra de forma ficavam muito melhor...
ÍDOLOS
Levanto de vez em quando um olho do computador (de trabalho) para espreitar o programa. Algumas coisas saltam-me à vista, a saber: Portugal inteiro (com menos de 25 anos) acha-se uma estrela; não se enxergam no que toca às qualidades vocais - mesmo quando recusadas, prometem em voz de cana rachada e lágrimas que vão "provar a muitas pessoas que..." - e artísticas; há maneiras mais delicadas de dizer a uma rapariga ou a um rapaz de 16 anos que não tem boa voz, sem utilizar expressões grosseiras e insensíveis.
Poderia ainda constatar que os membros do júri são muito sensíveis à beleza das raparigas com idade para serem filhas deles, seleccionando algumas que... enfim. E que são racistas, usando expressões como "entrou um pedaço de chocolate" ou para um rapaz cujos pais são cabo-verdianos, mas ele é obviamente português "oferece-me uma caxupa"...
Nem a ambição juvenil e cega merece aquele tratamento...

14 de setembro de 2003

DOMINGO
Uns vão à missa; outros almoçam com a família da outra-metade. Quase todos se angustiam pela segunda-feira.
Aqui, pelo Forno Computorizado, trabalha-se. Que a segunda-feira é quando um homem quiser.

13 de setembro de 2003

LÁ FORA
Sempre que estou fora de Lisboa só me apetece escrever sobre as coisas boas que vou observando e sentindo. Mas, aqui, entre as quatro paredes, fogem-me sistematicamente os olhos para as fraquezas do país.
Repito: na cidade a gente esquece-se de estar vivo...
CONCLUINDO SOBRE A TEMÁTICA REFERIDA EM BAIXO
Uma preocupação maior está a causar a revelação de haver práticas pedófilas com deficientes de 30 anos. Parece que a idade mental também conta.
Um grupo de modelos já está a organizar-se para apresentar queixa contra empresários e jogadores de futebol que foram com elas para a cama.
Diana (nome fictício) terá declarado: "eu tenho esta idade física, mas o meu intelectual não passa de um de uma miúda de cinco anos...".
Ou eu me engano muito, ou a Felícia Cabrita já anda enfiada no Portugal Fashion (nome fictício)...
E POR FALAR NO LENÇOL IMPRESSO...

Já me perguntei se a Felícia Cabrita será da família da Alexandra Solnado. Não só por Jesus usar muito o termo "minha cabrita" quando fala com esta última, como ainda o facto de todos os sábados a mulher vir com revelações novas do caso Que Nós Sabemos.

Achei interessante esta ligação entre os toureiros e a pedofilia. Depois de décadas de "isto aqui é só pra macho" e "Do que eu mais gosto é da mulher e do selim", parece que afinal também gostam de espetar as farpas em carnes mais delicadas.
Numa tentativa humanista de os perceber avento a hipótese de o fazerem para "proteger os menores da extinção". Isto ligava com a sua idéia do Amor aos Touros e com as suas desculpas para a manutenção da prática taurina...
ALZHEIMER
As pessoas sem memória para caras não deveriam ter Conhecidos.
Hoje ia pela minha rua abaixo, a caminho do Expresso, do Público e de uma meia-de-leite (de máquina) quando fui abordado por uma pessoa simpática que se passeava com a filha. Trocámos uma série de "Entãocomovais?" e "játenslivronovo?", antes dos nos despedirmos calorosamente.
Se alguém me puder dizer quem ele era, agradecia. A única pista que tenho foi a frase "Continuo na Sic"...
PICS
Sinto falta das imagens. Mas desde que o sapo se resolveu armar em esquisito e exigir que nos ligássemos através dele para poder ter uma página pessoal que fiquei sem caixa de sapatos para as fotos...

12 de setembro de 2003

OBRAS
Vou começar a fazer experências com a template... Não se assustem com as desgraças que vão ver. Sejam bonzinhos e concentrem-se no texto.
(Maldita queda para a experimentação!)
PRECE SINCERA
Se alguém souber alguma oração a Santa Bárbara ou a outro canonizado qualquer que faça chover, agradecia que a utilizasse.
Um índio que conheça a dança da chuva ou um esquimó aflito também servem...
A RUÍNA
Fui à Fnac: fiz mal. Dei de caras com a obra completa do François Ozon em Dvd (menos o "8 mulheres"). Escusado será dizer que dei por mim a digitar os 4 números que o meu banco mais gosta... Enfim, a desgraça.
Ainda me falta ver o "Sitcom" que nunca estreou entre nós e que me parece divertidíssimo. Provavelmente, Terrivelmente (no sentido mais sanguinário do termo) Divertido.
Ontem, vi a versão que passou nas salas dos "Amantes Assassinos" (não sei se esta foi a tradução... Ou se chegou mesmo a passar em Portugal...). Os contos dos irmãos Grimm revisitados numa história actual.
É urgente que se mostre mais este cineasta aos portugueses.
Y
Por razões várias, só ontem vi o filme de Fernando Lopes, "O Delfim", baseado na obra de José Cardoso Pires.
É um filme com interesse. No panorama do que se faz em Portugal. Fernando Lopes filma muito bem algumas cenas, não se poupa na captação de outras tantas, afastando-se desse modo do registo preguiçoso a que temos assistido largamente, nos últimos anos. Claramente, Fernando Lopes não liga a câmara e vai beber um copo enquanto a fita corre. Poderia faze-lo, mas não. Há trabalho. Alexandra Lencastre faz uma bela Maria das Mercês e o Rogério Samora vai igualmente bem, naquele que parece ser um dos únicos papéis para que se lembram de o convidar: o galã duro.
O argumento, na minha humilde opinião, não é grande coisa, peço desculpa. Assenta num belo romance e não se atreve a descolar dele. A já cansativa voz de Rui Morrison, a debitar em off (para variar) textos literários. (ps: mas atendendo ao trabalho de actor, ainda bem que ele geralmente só dá a voz...) Vasco Pulido Valente prova com brio que é um cronista com interesse. Já argumentista não será.
Fica-nos contudo, a ideia de termos visto um bom filme; uma história forte, narrada com coragem. Talvez não seja motivo para a exaltação que a imprensa (de uma certa geração, sobretudo) provocou. Não é uma obra-prima. Mas também não é uma obra-tia, ao arrepio dos tempos que correm. É algures entre a passagem e o meio caminho... Mas melhor.

11 de setembro de 2003

AGARRA QUÉ LADRÃO!
Hoje roubaram-me a carteira. Foi a segunda vez na vida. Mas esta aventura só durou dois minutos. Um indivíduo que eu nem cheguei a ver, seguiu-me no interior de uma loja de roupa no Chiado. Enquanto eu me arrepiava com os preços, ele abriu-me a mochila e levou-me tudo (dinheiro, documentos...). Valeu-me o gerente, brasileiro, que detectou a coisa e perseguiu o ladrão. Ia a 50 metros da loja, já de carteira estendida: "Deixou-a cair, eu apanhei-a e... esqueci-me de a devolver". A desculpa foi tão esfarrapada que o deixámos ir embora com um endereço de um curso de criatividade. O desgraçado não sabia que para ser carteirista hoje em dia é necessário desenvolver competências na área da comunicação.
Bom... no que tocava à linguagem não-verbal ele estava afinado...
OLYMPIA
Na morte de Leni Riefenstahl, todos os comentadores optaram pelo registo cauteloso. Obra com algum interesse, mas... O "Mas" era a acusação de ligação ao nazismo. Eu entendo este movimento, mas no que toda à arte, não poderíamos separar as coisas? Sim, ela fez um filme propagandístico sobre as Olimpíadas... E sim, esse foi o filme mais bonito que alguma vez se fez sobre o assunto. Não poderemos admirar o lado artístico de uma coisa que foi utilizada para outros fins? Provavelmente, Riefenstahl viu apenas o movimento e a beleza estética ao espreitar pelo visor da cãmara. E mesmo que não tenha sido assim, será o que dela restará para o futuro.

10 de setembro de 2003

PEDIDO
Meus senhores, verifico com desgosto que algumas pessoas poderão estar a visitar esta página mais de uma vez por dia. Além de haver coisas melhores para fazer, como visitar o Museu Militar ou ir ouvir a música que o dj Santana Lopes seleccionou para a baixa de Lisboa (isto para o pessoal do Brasil, Itália ou Hungria... é capaz de ser mais difícil, mas é só encontrar substituto local) isso engorda o número de page views. Sugeria que visitassem mais o Abrupto que além de ser uma coisa mais... consensual, ainda é um grande contador de visitas. Não há dia que o deputado Pacheco não faça estatística. E, a atentar nas suas estatísticas, além de ter sido o pai dos blogues é agora o campeão. Viva!
SLIDE & SPLASH
Penso frequentemente no que me separa de outros "pensadores" (passo a imodéstia, sendo que quando uso a expressão, nem por isso é lá muito elogiosa, é mais um "existo, logo penso"...). Além de abominar a escuridão da valeta e os ensaios críticos sobre a "Alteridade enquanto Expressão da Quadratura Cognitiva", penso que o maior fosso consiste no facto de eu achar piada em correr do Kamikaze para o Blue Hole e deste para o Twister... E, talvez, em não ter grande atracção pelas Pistas Planas.
RADICAL CATS
Confirma-se a ida dos Fedorentos para a Sic Radical. O Ricardo promete que finalmente vai fazer sketches com graça. Olha, lá, meu malandro, conselho de amigo: se vês que não és capaz, não prometas, hã! ;)

ps: Alguém me explica por que razão só na Sic Radical é que pode passar humor português interessante?
HUMANUM EST
No DN de hoje, Miguel Poiares Maduro, defende o direito ao erro. E aponta para uma característica fundamental da natureza dos portugueses: perdoa-se tudo, menos o erro verificável. Com o que isto tem de castrante na aprendizagem, aplicação da justiça e desenvolvimento das capacidades criativas.
Se não fosse longa, contaria aqui a história chinesa dos três animais que frequentam uma escola com o intuito de se aperfeiçoarem. E de como o gato saltava maravilhosamente mas era incapaz de voar, tal como outros animais, dotados de uma capacidade maravilhosa, mas incapazes de dominar medianamente tudo o que se poderia fazer. Se bem me lembro da história, ganhou o pato, que fazia tudo mais ou menos, embora nada com génio. Era o triunfo da mediocridade.
Os portugueses pelam-se pela mediocridade. Preferem-na ao brilho do diamante em bruto.
Lembro-me de um professor que tive na faculdade que deu a melhor nota a uma das minhas colegas mais tolas, mas que tinha feito trabalhos de muita cópia e nennhuma ideia. Aos que apresentaram propostas novas, provavelmente menos defensáveis castigou com nota baixa. O mais importante era que não se errasse.
Se bem me lembro, há uns anos atrás, a quase totalidade da crítica e do público leitor insurgia-se contra um escritor que usava a pontuação de forma "abusiva". Para não escreverem "errada". Hoje, ele vive em Lanzarote.
Apesar dos "erros"

7 de setembro de 2003

O EXPRESSO ABUSA
Não consigo perceber a má vontade de alguma imprensa contra a criatividade de antigos trabalhadores da RTP. Se não trabalham, é porque não trabalham, Se importam recursos e actores estrangeiros é porque desbaratam os recursos nacionais... Por uma vez, que eles filmaram as NOSSAS crianças, usaram os Nossos equipamentos e ainda conseguiram um bom lucro vendendo os filmes aos milhares para o estrangeiro, caem-lhes em cima.... Assim, não admira que o pessoal se desmotive...
VIVIR
Estou com o Dicionário, nesta matéria: as entrevistas do Alberto João de mamas ao léu e ideias reacionárias na ponta da língua deveriam ser transmitidas codificadas. Só quem tivesse uma "Regional-tacho-box" é que poderia assistir.
PS AO POST DO AVANTE:
Também percebi que o PC não muda porque já não pode mudar. Agarrou-se ao seu passado histórico como o náufrago se agarra à porta da cabine de pilotagem, onde um dia se traçaram rumos brilhantes. Os comunistas estão velhos, vão morrer em breve e, na sua vertigem para a morte, querem levar com eles, os jovens que com o coração cheio de ideais se acercam deles. Não repetem a cassete por mal, fazem-no porque já não são capazes de emendar o discurso. São tão conservadores como os mais reaccionários de direita. E, contudo, quantos deles deram parte da sua vida pela ideia de um mundo pleno de diferenças?
AVANTE
Primeiro, aturar as piadas da família e dos amigos mais conservadores sobre o que parece ser uma clara vontade de ir abraçar os ideais comunistas. Depois, o nosso próprio divertimento a caminho de uma festa que sabemos política. Por fim, o recinto.
A primeira surpresa consiste na quantida gigantesca de jovens. Se a JCP tive um quarto daquela gente, o partido comunista português não estaria onde está. Sente-se uma onda... "freak", mal se entra. Ou antes, flower power. São as mochilas e os sacos de pôr a tiracolo de cores alucinadas, as sandálias de couro, o ar descontraído com que se anda sem camisola. Há uma Boa Onda, nesta festa. A solidariedade impera e encontramos sempre alguém que nos ajuda a encontrar isto ou aquilo. Já ninguém nos trata por "camarada" (embora os altifalantes façam a clara distinção "Avisam-se os camaradas, os amigos e os visitantes que..."), como antigamente.
A festa do Avante transformou-se num enorme encontro inter-geracional pela sobrevivência de alguns valores humanitários. Explicando melhor: apesar do esforço que o PCP faz para enfiar na cabeça dos militantes os seus anacronismos distorcidos, a maioria das pessoas move-se por Outra Coisa. Algo do campo da Paz, da Solidariedade e da Harmonia com a Natureza. Na verdade, se o comité Central não estivesse tão ancilosado, perceberia que o grosso dos visitantes não é seu Camarada e muito menos seu Amigo. Está-se tudo a cagar para a Luta contra O Pacote Laboral e contra a Maravilha de Governação dos Países Comunistas. Aqueles milhares de jovens celebravam o acto de estar vivo, sobretudo. E de partilharem em comunidade esse sentimento.
A Música, ontem, sábado, não foi grande coisa. Sobretudo no Palco 25 de Abril ( o palco principal). Os grupos eram esforçados, mas cansativos. E o concerto da Maria João e do Mário Laginha, talvez por causa do tamanho do espaço, também não teve nada de apelativo. Para os "Cabeças no Ar" que encerravam a coisa, não houve pachorra. Se calhar foi interessante. Não sei.
Contudo, houve coisas interessantes, no campo da world music e dos géneros mais alternativos. Acordeão e instrumentos de banda de Jazz (leia-se contrabaixos, sax...) mostraram-se bem mais interessantes do que os Grandes Eventos.
Também se come bem, por lá. Não sendo barato, contudo. A gastronomia dos locais mais variados do país, em jeito de amostra.
O pavilhão da Madeira levava 1.80 € por um cálice de poncha. E em homenagem ao Paulo Moreiras, pedi no pavilhão de Lisboa uma ginja: indescritível de aldrabice. Aí, sim, fui roubado.
Resumo: Vale a pena blindar os ouvidos à cassete e ir até à Quinta da Atalaia, na margem Sul do Tejo. Pelo sítio, pelo espírito dos visitantes e pela ideia quase invisível de existe um lado muito melhor dos portugueses do que aquele que nos é mostrado pelas televisões.

6 de setembro de 2003

DIÁRIO DA VOLTA
Hoje a camisola amarela do BB foi para a Carla. Para os que a tomaram como a criatura mais burra da casa ( e a luta é renhida) veio provar que não é bem assim. Em dois dias conseguiu ser eleita "líder" (é certo que o foi porque ninguém a aturava) e saltar para cima do rapaz dos abdominais de ferro. Este também merece uma nota de encorajamento porque à afirmação feita por uma outra concorrente (ao sexo) "Tu não tens nada na cabeça", ele respondia em intervalos regulares de 22 segundos: "por qué k dizes isso?".
Eu próprio fiquei a pensar sobre esta questão e cheguei à conclusão que ela pretendia resguarda-lo do sol que hoje se fez sentir com intensidade. "Tu não tens nada na cabeça" era apenas o aviso de uma carinhosa amiga.

5 de setembro de 2003

MEXIA ERROU
O meu amigo Pedro, erra ao atribuir à Oficina do Livro a publicação de uma Coisa chamada "Todos Lá Dentro". O trocadilho que faz é bom, mas a editora é outra. Fiquei logo com essa impressão e hoje ao passar pela livraria do bloguista Escala-Estantes, espreitei a montra e confirmei que era uma editora desconhecida qualquer. Não me pagam para dizer isto mas se Oficina pode publicar livros de pouco interesse literário (Já sei, Zulmira, o meu, sim, pronto, vá lá deitar na saca, pronto...) raramente publica sub-merdas (com excepção do Socialíssimo, da nossa Trepadora Social...). E se o fizesse, haveria de lhes encontrar uma capa mais jeitosa. Parece-me a mim...

...E por falar em sub-produtos e em bobagens, chamou-me hoje a atenção o novo número da revista Os Meus (salvo seja) Livros. O destaque de capa vai precisamente para o lançamento da obra referida em cima, de Paula Bob. Os meus parabéns ao conselho de redacção que se mantém inalterável no rumo de trazer aos leitores o melhor da nossa literatura. Cinco Estrelas para a escolha.
EYES WIDE SHUT
Por indicação do Joel, espreitei o Ambram os Olhos. Mesmo não concordando com tudo, devo dizer que o seu comentário, caro H., sobre os romancistas me parece muito próximo da realidade. Partilho a teoria das personagens e do trabalho sério, sobretudo.
Sugeria-lhe contudo, se me permite a franqueza, que cite sempre as afirmações sinceras de Lobo Antunes com duplas aspas. Uma espécie de preservativo de pontuação, se quiser... ;-)
DIA SIM
O contrário do dia-Não é o dia-Sim. Hoje foi um deles. Até que enfim, ó Divino! Estava a ver que não me calhava...!
LIO
Gente de França, dizei-me: que é feito da Lio, a actriz-cantora portuguesa que há uns anos parecia destinada a uma carreira promissora chez-vous? Avistei-a num programa antigo da M6, no outro dia e interroguei-me...
LAUGHING OUT LOUD
Hoje tive uma sensação de dejà vu: um tipo novo, sentado face a face com a namorada, num dos corredores da FNAC Chiado, ria a bandeiras despregadas com o que acabava de ler num livro de cartoons.
Uma voz do passado chegou até mim, dizendo-me de novo: "Pareces maluco! O que verá ele de tão engraçado nos livros...?!"
PRAVDA
Dei por mim a marcar uma reunião de trabalho com uma realizadora, algures na festa do Avante (onde não vou desde... Em que ano é que morreu a Catarina Eufémia?).
Há qualquer coisa de perverso nesta gestão de agenda...

4 de setembro de 2003

CULINÁRIA
Ao experimentar uma nova forma de fazer arroz-doce, consegui a minha primeira versão CASTANHA.
Não foi difícil: o segredo está em ultrapassar largamente o tempo normal de cozedura.
ps: Se viverem no campo, sugiro que não o atirem às galinhas. Se o fizerem e alguma deitar a cabeça fora do forno a cantar "Gracias a la vida", não se admirem.
TV PÚBLICA
Hoje, de tarde, vi alguém que me pareceu a Dina Aguiar a fazer uma reportagem. Meu Deus: quantas surpresas mais existirão naquela 5 de Outubro?! Não me admirava nada que eles guardassem numa prateleira o gordo do Bonanza e a Abelha Maia em pessoa.
Uma alma caridosa que vá investigar a folha de salários da empresa e que diga de vez QUEM é que eles mantêm sequestrado.
CÁ VAMOS MUGINDO E RINDO
Como se não bastasse a tourada do Vasco da Gama aos fins-de-semana, agora há uma tourada A SÉRIO, no Parque das Nações.
De acordo com o promotor da iniciativa (sabe-se lá o grau de confiança do senhor...), o presidente Jorge Sampaio queria estar presente no barbeque de hoje, em homenagem a um toureiro. A ser verdade, seria interessante lembrar ao senhor Presidente que há alturas em que a prudência manda não meter em cavalarias altas...
Tenho estado a pensar no que me aborrece nas touradas. E cheguei à conclusão que talvez seja a escolha do bicho. Eu sei que os ganadeiros usam touros porque querem proteger a espécie da extinção... Mas, não seria possível substituir por "Tias"? Talvez daquelas que a esta hora estarão a assistir ao "espectáculo". Eu até nem digo que se usassem farpas... Agulhas de crochet no lombo já davam motivos de gáudio.
COMENTAR
Os comentários do blogue tomam-se por estrelas. Aparecem quando lhes apetece e brilham de forma intermitente.
As desculpas do Caseiro.
ps: para que não haja confusões, estou a falar do servidor em que está alojada a Coisa.
JEANS
No "ARTE", vejo um documentário sobre calças de ganga. Eu que julgava que o problema consistia em não se usar depois de as nódoas já serem muito visíveis, ou as baínhas pedirem misericórdia... Aparentemente a coisa é mais complicada.
Entre outras histórias, referem o caso de dois vendedores de jeans, que na União Soviética dos anos 60 foram condenados como "Inimigos do Povo". Uma pena inicial de 15 anos para os dois homens jovens (24 e 30 anos de idade) não foi considerada suficiente. O procurador requereu um novo julgamento. Neste, transformado num exemplo para toda a juventude russa, os arguidos foram condenados à morte.

3 de setembro de 2003

BIG PLAN
Conta-me uma fonte bem informada que durante um zapping pelo canal 43, onde pastam os meninos da casa mais idiota do país, ter deparado com uma cena higiénica. Aparentemente, a rapaziada toma banho de calções para evitar a escandaleira. Mas a TVI é mais esperta: quando um dos desgraçados meteu a mão, por assim dizer... nos seus interiores, a câmara seguiu-o em voluptuoso zoom, onde se demorou, enchendo o ecrã de significados inesperados. Ou me engano muito, ou na próxima Gala (do verbo "galar"), a Teresa Guilherme vai tornar-se na primeira comentadora Porno da televisão portuguesa...
LITERATURA
Hoje encontrei entre as novidades, a nova e belíssima edição de UMA ABELHA NA CHUVA, de Carlos de Oliveira (Assírio&Alvim).
Não venderá por certo quase nada, neste neo-país de "figuras púbicas". Mas bem haja a sua reedição.

2 de setembro de 2003

MARTE
Hoje era um dia em que não gostaria de ter um deus da guerra a morar cá dentro. Não porque o mundo tenha deixado de ser uma floresta de emboscadas, pejada de malfeitores e bichos agressivos. Mas porque gostaria de chegar ao seu fim, como o mendigo que envelheceu enquanto passava por bandos de gente ambiciosa, sem tirar os olhos das ervas que deslizavam por debaixo dos seus pés.
Será pedir muito a mim próprio?
EM SURDINA TUDO SE DIZ
Hoje, ao almoço, falava com um conhecido, a propósito de um certo blogue eventualmente mentiroso. Chegámos à conclusão que já toda a gente o tinha lido, mas que quase todos se recusavam a dar o endereço.
Eu sabia que um dia teríamos o nosso próprio Voldemort. No caso português é "Aquele-De-Quem-Não-Se-Pode-Dizer-O-Link"...
LIVRA!
Ouvido a dois repórteres que cobriam as entradas e saídas das visitas do Est. Prisional de Lisboa:
"Então, adeus"
"Xau: até à próxima!"
PORN
Depois de ver o filme KEN PARK, interrogo-me sobre a palavra "pornográfico". Se lermos a imprensa sobre o filme (reproduzindo o que já foi dito noutros países) veremos que a maior parte não se debruça particularmente sobre as virtudes do filme. Não: o que lhe interessa é "ser um filme pornográfico". Deduzo que façam esta afirmação por aparecerem umas pilas no filme (é verdade, os americanos têm pila, o que vem contrariar mais de 100 anos de história do cinema), e um dos rapazes passar alguns minutos a dar à língua com uma linda senhora... Ah, e uma criatura feia como as casas masturba-se até ao fim. Pelo que li, isto seria o filme.
Não é. Ken Park é um filme sobre o incómodo de uma geração a quem não se exige um futuro.
ps: "pornográfico" é ver, como eu vi, um carro de um membro do governo, estacionado sem motorista, em frente à FNAC do Chiado, onde outra pessoa qualquer seria multada em 2 minutos, enquanto o seu ocupante ia "dar uma voltinha pelas novidades". Ou ligar a RTP entre as 10 h da manhã e as 4 h da tarde e ver medíocre atrás de medíocre encher-nos o dia com risos alarves, e os bolsos próprios com ordenados de muitas centenas de contos (depois de impostos, claro).
COISAS DA TERCEIRA
O Joel Neto anda em recolha de palavras e expressões da Ilha Terceira. Bastou o excerto que reproduzo com a devida vénia para eu dar um salto para trás no tempo :)

"Acaçapar (diz-se acaçapá) -- acomodar, ganhar juízo ("Ó pequena, mas tu achas que eu te deixava ir para o Big Brother? Acaçapa-te, mas é!...")


O açoriano de coração agradece.
PARA ONDE BAIS, PAÍS DE MARINHEIROS?
O Fernando Rocha, esse ídolo do neo-humor português, vai ter um programa seu, na SIC. "Ou Bai ou Rocha" será o título. Cientistas da Liga para a Sanidade Mental já estão a desenvolver uma antena que comuta a SIC, nesse horário, num programa de debates argelinos.
AQUILO COM QUE OS CRIATIVOS COMPRAM OS MELÕES
Custa mais a arrancar que um dente do siso... Implica telefonemas vários, paciência de santo(a) e uma carapaça contra a lata que do lado de lá se encontrará ("Vou ver o que é que se pode fazer...", frase habitualmente referente ao pagamento que deveria ter sido efectuado, sem mais, 3 MESES ANTES!). Um conselho a todos os que suspiram por uma vida de criadores, cheia de reconhecimento e de ondas de apreço: esqueçam a compra das 4 assoalhadas no Cacém, deitem fora a ideia que irão ao lado dos vossos amigos na viagem promocional a Palma de Maiorca; e nem pensem que um dia vão poder responder ao vosso filho adolescente: "Ai queres um aparelho nos dentes? Vamos lá a isso".
Lembram-se do Camões todo encolhidinho na manta com o estômago colado às costas? Agora é quase o mesmo, com a diferença que temos o número de telefone das secções de contabilidade dos sítios para onde escrevemos ou desenhamos... e um Mini-Preço ao virar da esquina...
ESCREVER ACORDADO
Às vezes, é como uma frase musical; um tom de história. Sabe-se que bastava sentar naquele instante para ter a possibilidade de agarrar aquele fragmento de escrita... Mas, depois o olhar distrai-se com outra coisa qualquer, alguém chama da cozinha, um carro de bombeiros atroa a rua... E tudo desapareceu. Voltou de novo para o limbo. Para o sítio das neves. Para o grande depósito dos relatos por fazer...

1 de setembro de 2003

VAI E VEM
Hoje, aqui por Lisboa, estava de novo quase tudo normal. Isto é, as pessoas tinham voltado a ocupar os seus lugares nos engarrafamentos, os cigarros agitavam-se em stress por detrás dos vidros fechados e as obras espalhadas por toda a cidade mostravam a sua real dimensão caótica. Milhares de pessoas voltaram para a Vida Normal.